Uma organização é basicamente uma unidade de transformação. Uma organização transforma recursos produtivos, como capital e trabalho, em bens e serviços. Esse processo de transformação se dá valendo-se sempre de dois processos distintos, porém relacionados: o técnico e o gerencial.
O processo técnico é que responde pela produção do bem ou do serviço propriamente dito. Ou seja, como 1 tonelada de ferro se materializa em metros lineares de aço, ou ainda como as compras de um supermercado se transformam em faturamento no ponto-de-venda.
Por sua vez, o processo gerencial é responsável pela organização dos recursos produtivos de modo que os objetivos sejam atingidos. Nesta atividade, além do planejamento, é claro, há também as questões relacionadas à natureza das diferentes operações.
A administração cuida exatamente dessa função de organização do sistema produtivo. Cabe a ela, como área de conhecimento, estabelecer objetivos e as melhores formas e práticas de alcançá-los.
Embora seja propalada com freqüência a idéia de que haja uma teoria da administração, na verdade não há elementos que possam sustentar essa idéia. Uma teoria consiste em uma abordagem sistêmica construída a partir de um conjunto de hipóteses, com o propósito de interpretar a realidade e, eventualmente, realizar previsões, considerando a dinâmica de certas variáveis.
A administração é, portanto, mais próxima da engenharia do que da física. O estudo da gestão das organizações se faz por meio da união de várias ciências com suas próprias características: a economia, na análise dos fenômenos microeconômicos e macroeconômicos; a sociologia, na interpretação das relações sociais; a psicologia, no estudo da cognição; e assim por diante.
Gerir, portanto, significa antes de tudo a prática. Assim como se aprende a dirigir dirigindo, é difícil imaginar a gestão afastada de sua própria prática. Esse é um dos pontos cruciais que devem balizar uma verdadeira escola de negócios. É evidente que, ao se falar de prática, não necessariamente se imagina que alunos e professores precisem estar envolvidos diretamente com a gestão das empresas e instituições. Mas é essencial que os estímulos para os diferentes estudos partam das condições que se configuram no ambiente onde as organizações desenvolvem suas atividades.
Desde seus primórdios há 25 anos, a FIA - Fundação Instituto de Administração - sempre esteve orientada por esta importante referência. Contudo, embora a administração não seja ciência em si mesma, a gestão, como se viu, demanda um conjunto de princípios de muitos campos do conhecimento. Se não se pode pensar a prática longe da prática, também não se pode apenas reduzir a prática à aplicação simples, imediata e repetitiva dos mesmos elementos. Gestão é um problema complexo e, portanto, requer soluções complexas. A solução de problemas complexos, multidimensionais, exige uma postura aberta, flexível e eclética.
A FIA, como escola, se assenta, em um forte esforço de investigação científica. Seus programas de educação são decorrência desse esforço. De seus núcleos de excelência acadêmica nasceram e se mantêm importantes programas de educação.
Faltava, entretanto, à FIA algo de suma relevância. Uma instituição desta natureza requer um veículo próprio de relacionamento com a comunidade interessada nos desafios propiciados pela gestão organizacional. Foi essa a motivação que levou a Fundação a arquitetar e lançar a Revista FIA. Uma publicação orientada por dois direcionadores básicos: o compromisso com a realidade e a fundamentação conceitual.
final, conhecimento não se constrói sem interação. Certamente é por isso que Gutemberg foi eleito, por um conjunto significativo de cientistas, a personalidade do último milênio. Sem Gutemberg, que não se pode comparar a Einstein em sua capacidade de abstração, o conhecimento não teria evoluído da forma que ocorreu. Talvez, quem sabe, se o seu aparecimento tardasse, ainda não teríamos conhecido as idéias do físico iluminado.
|
|
|