Em 1980 o Pará passa a atrair a atenção de milhares de brasileiros. Um particular lugar, até então totalmente desconhecido, começa a ser o destino de milhares de brasileiros, principalmente aqueles menos afortunados: Serra Pelada. Vinte cinco mil homens se amontoavam a procura de uma oportunidade, a chance de mudar de vida, um passe de mágica, realizado não por varinhas de condão, mas com picaretas e enxadas. A imagem de uma multidão de homens maltrapilhos cavando buracos cada vez mais profundos e largos desesperadamente à procura de uma pepita de ouro, foi a primeira idéia que me veio ao iniciar esse comentário sobre o fenômeno da rua 25 de março. Os consumidores, que ocupam todos os espaços, não se assemelham a grande parte dos desafortunados garimpeiros. Mas, em algo são parecidos: estão à procura da oportunidade, do bom negócio. São, portanto, também garimpeiros. A simples existência do ouro, jamais atrairia tanta gente não fosse a divulgação dos achados. A existência do ouro e o conhecimento de que a possibilidade de encontra-lo existe gerou o fato social que assistimos nos anos 80. O mesmo sentido de oportunidade também nos move como consumidores. A 25 de março representa esse sentido de oportunidade e, por certo, é por isso que tantas pessoas todos os dias, principalmente nesse período natalino, ocupam cada metro quadrado da própria rua e de seus arredores. Diferentemente de Serra Pelada que foi brindada por Deus com uma quantidade específica do valioso metal, a 25 de março foi se reinventando, ampliando as possibilidades de atender seus consumidores ávidos por uma boa oferta. De uma rua caracterizada basicamente pelo comércio de tecidos foi se transformando gradativamente, para assumir as atuais feições, ou seja, o maior shopping center a céu aberto da América Latina. Em oposição às ruas especializadas a 25 se caracteriza por ter de tudo. Quando se fala em iluminação vem quase que de imediato a mente a rua da Consolação. Se o assunto é produtos orientais se associa ao bairro da Liberdade. Há sem dúvida muitos outros exemplos. Em todos esses endereços a concentração da concorrência ajuda a promover negócios, ou seja, mantendo-se juntos os concorrentes conseguem maiores volumes do que se estivessem atuando separadamente. É o que se chama sinergia. Na 25 o que dá a liga, ou o que gera sinergia, é exatamente a idéia de que lá se pode fazer um bom negócio.
Há de tudo. Há aqueles que lotam suas sacolas para ganhar a vida revendendo. Outros que, por absoluta necessidade, pensam e repensam em cada real gasto. Mas há também aqueles que a despeito da situação financeira mais confortável se misturam a massa para descolar a sua própria pepita. Embora se saiba que nem tudo que reluz é ouro, muitas vezes se quer apenas o brilho. Se assim for uma bolsa Louis Vuitton a R$ 50,00 pode ser a pepita que se estava procurando.
|
|
|