O tucano, a despeito de ser um pássaro muito bonito, não é dado a vôos longos. Essas aves costumam subir e descer em trajetos relativamente curtos. De um salto ao outro permanecem parados por tempo considerável enfeitando com sua plumagem a copa das árvores.
Esse pássaro de colorido marcante foi escolhido para logomarca do PSDB. Embora marca seja marca, talvez o PT pudesse tomar emprestada a ave para ilustrar a evolução de sua política econômica. A bordo da economia mundial, que vem crescendo consideravelmente, em alguns casos em ritmo acelerado, a economia brasileira expandiu-se no ano passado magros 2,7% . Nada muito diferente da época em que o tucano aninhava-se no Planalto.
Embora o crescimento do produto tenha sido pífio não se pode deixar de dizer que de 2005 para 2006 houve sim um aumento da massa real de salários em torno de 9%. Esse crescimento se deveu a aumentos reais do salário mínimo e a reajustes salariais, para categorias importantes, acima da inflação registrada no período. Paralelamente a isso políticas de renda, Bolsa Família, favoreceram as classes menos abastadas da população, reduzindo, de fato, a participação da população miserável.
As vendas de eletrodomésticos, móveis e automóveis cresceu a taxas bem maiores que a massa de salários. Tal expansão se deu sustentada também pela própria expansão do crédito. Redes comerciais, bancos e financeiras ampliaram de modo significativo às operações de varejo. Adicionalmente as facilidades de parcelamento também contribuíram para a venda de bens duráveis e semiduráveis.
Essa expansão de consumo ao longo do ano foi acompanhada de uma redução quase que desprezível da taxa de juros na ponta do consumo. Ou seja, enquanto a SELIC baixou de 1,47% ao mês em dezembro de 2005 para 0,99% ao mês em dezembro de 2006, a taxa média de juros ao comércio moveu-se de 6,15% para 6,12% ao mês em igual período.
Com essas taxas de juros, que estão ao alcance apenas de águias mas não de tucanos, e contando com uma renda média de somente R$ 1.100,00 os consumidores ampliaram o seu endividamento. Os índices de inadimplência não deixam dúvidas a esse respeito. Os patamares dos indicadores de inadimplência situam-se 7% acima dos registrados em 2005.
Por essas razões é que o tucano que saltou para seu vôo do último trimestre do ano passado o fez para alguns galhos abaixo de onde se encontrava. Pelos mesmos motivos é que o indicador de Expectativas de Consumo do PROVAR – Canal Varejo para o primeiro trimestre de 2007 apresenta-se melhor do que foi o último trimestre de 2006. Em outras palavras, por ocasião do Natal do ano passado, o que tinha que ser comprometido com consumo já tinha sido. É por isso que o Natal não foi nem de perto o que se esperava. Assim depois de uma rápida descida, lá vai de novo o tucano, agora alguns galhos para cima, porém apenas alguns poucos galhos para cima.
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