É comum observar discussões acerca dos objetivos organizacionais. Colocam-se os propósitos como se a organização fosse dotada de um princípio vital próprio. Embora a linguagem seja figurada, preconiza-se, seguindo essa linha de raciocínio, que a estrutura da empresa deve acompanhar a estratégia. Obviamente, o posicionamento estratégico é dependente das condições específicas de mercado. Adaptar-se ao meio é essencial à sobrevivência. O darwinismo explica a evolução das espécies a partir da adaptabilidade dos seres ao ambiente. Muitas espécies desapareceram porque não se adaptaram.
O mercado é a razão da existência das empresas. As pessoas que compõem uma determinada sociedade se expressam também em termos dos bens e serviços que compram ou contratam. A empresa é, portanto, uma decorrência natural do próprio mercado. Já uma organização é uma figura abstrata. A especificação formal, no âmbito jurídico, ou mesmo informal nas condições da operação, garante à elas as condições que lhes permite de fato a existência. Dotadas ou não do Cadastro Geral dos Contribuintes (CGC), as organizações operam comprando, vendendo, enfim, interagindo no ambiente em que atuam.
De sua parte, os administradores vêem as organizações como estruturas. Muitas tipologias são usualmente apontadas de modo a descrevê-las. De fato, observando as organizações, assim como examinando cuidadosamente a natureza, vamos encontrar diferentes espécimes, ou, melhor, espécies. Algumas operam com estruturas funcionais, outras se valem da divisão em unidades de negócio. Há ainda as concepções mais modernas em que a estrutura se revela em células interconectadas. Em outra perspectiva, os militantes do direito econômico conceituam as organizações considerando a natureza de suas operações e a maneira como se estabelecem as relações contratuais. Assim, uma organização tanto poderá ser uma sociedade anônima como uma sociedade civil limitada, uma microempresa, etc.
Por fim, os economistas clássicos denominam as empresas como firmas. Uma firma é basicamente uma unidade de transformação de fatores de produção (insumos, trabalho e capital) em produto final, ou seja, bens e serviços. Essa transformação se dá por meio da intervenção de dois outros processos: um técnico, que diz respeito à forma como ocorre a transformação, e um gerencial, que se refere à maneira como a produção se organiza para que a oferta de bens e serviços de fato ocorra. Mais recentemente, economistas e profissionais do direito têm estudado as organizações de uma forma mais abrangente. Por essa perspectiva, denominada economia institucional, a organização se materializa nos contratos que estabelece explícita ou tacitamente.
O fato é que, a bem da verdade, uma organização simplesmente não existe! Não há uma entidade organizacional que se possa designar com unicidade. Ela é em essência um ente coletivo, ou seja, composta por um conjunto de pessoas. Assim, portanto, uma organização não tem objetivos, mas sim as pessoas.
Adaptar uma empresa ao ambiente é assunto complexo. Isso de fato ocorre, porém o jogo se faz lento. A rigor, em termos práticos, a idéia de que a estrutura segue a estratégia é mais figura de linguagem do que ações concretas nessa direção. Como disse Maquiavel: “Não há nada mais difícil de mudar do que um determinado estado de coisas, pois tem como opositores todos os que estão se dando bem na atual situação, e como frágeis defensores os que eventualmente venham a se dar bem na nova”.
Essa é uma das faces da natureza humana. Nada a lamentar; simplesmente somos assim. É preciso ter essas limitações muito claras para levar a cabo a tarefa de gerir com maior discernimento e compreensão. |
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