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Janeiro.2010
IGP-DI mostra recuperação no atacado e alerta para pressão no varejo

O resultado do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em janeiro mostrou a recuperação de preços no atacado, que sofreram fortes quedas por conta da crise econômica do ano passado, enquanto no varejo a demanda verificada acendeu a luz amarela em relação a uma possível alta dos juros básicos da economia.

A avaliação é de Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), para quem a alta de 1,01% do IGP-DI em janeiro encerra o período de deflações que levou o índice a fechar com taxa negativa no ano passado pela primeira vez na história.

Quadros ressaltou que janeiro é um mês em que tradicionalmente o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-DI, tem alta significativa, uma vez que são incluídas as variações provocadas pelas mensalidades escolares.

Desta vez, o avanço do IPC foi maior por conta das tarifas de ônibus urbano, que sugiram 7,87%, enquanto o curso de ensino superior subiu 4,45%; o curso de ensino fundamental avançou 7,59%; e o curso de ensino médio cresceu 6,88%. Com isso, os 1,29% registrados pelo IPC significaram o maior patamar desde os 1,37% de fevereiro de 2003.

"A diferença foi causada pelos ônibus, que desequilibraram", afirmou Quadros, lembrando que o núcleo do IPC - que exclui as variações mais significativas para baixo e para cima - registrou 0,47%, o maior desde os 0,73% de maio de 2005. "Todos esperavam uma alta do IPC no começo do ano, mas ela veio acima da expectativa", acrescentou.

O economista da FGV reiterou que o resultado de janeiro pode aumentar as apostas de que o Banco Central terá que elevar os juros básicos da economia, atualmente em 8,75% ao ano, ainda no primeiro semestre, de forma a evitar que a inflação desgarre do centro da meta para 2010, de 4,5%.

"Existe a possibilidade de uma aceleração da inflação que comprometa a meta, mas isso ainda é uma possibilidade. Esses indicadores estão mostrando esse risco ao centro da meta e, se o compromisso é com o centro da meta, acho que o BC vai tomar as atitudes (necessárias)", frisou Quadros, lembrando que o IPCA, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,75% e mostrou alta no acumulado em 12 meses, para 4,59%.

"Temos que lembrar também que a retirada da desoneração do IPI, que ajudou a segurar a inflação no ano passado, vai aumentar a taxa este ano", detalhou.

Também pesou no IPC o efeito do excesso de chuvas sobre os produtos alimentícios. O arroz branco subiu 5,54% em janeiro, depois de avançar 0,68% em dezembro; as frutas pularam de 2,87% para 4,70% no mesmo período; enquanto as hortaliças e legumes saíram de uma deflação de 1,06% para uma alta de 3,41%.

Outro efeito importante sobre o IGP-DI veio do Índice de Preços do Atacado (IPA), que tem peso de 60% no índice. Em janeiro, o grupo subiu 0,96%, depois de três deflações seguidas, cravando a maior taxa desde os 1,36% de outubro de 2008.

Quadros chamou a atenção para a retomada de preços de produtos que caíram fortemente no ano passado, na esteira da crise global. O açúcar cristal subiu 16,08% em janeiro, depois de avançar 3,38% em dezembro; o arroz beneficiado passou de 1,40% para 14,75% no período; o leite pasteurizado saiu de uma deflação de 1,74% para uma alta de 1,85%.

Mas Quadros alertou que a tendência não foi vista somente em relação aos alimentos e commodities básicas. Os químicos inorgânicos saíram de baixa de 0,36% em dezembro para alta de 2,45% em janeiro; os intermediários para resinas e fibras subiram 0,88% em dezembro e aceleraram para 5,94% no mês passado; e as resinas e elastômeros, que caíram 3,77% em dezembro, avançaram 2,42% em janeiro.

Outro exemplo vem dos fertilizantes, que acumulam queda de 35,08% em 12 meses, recuaram 2,53% em dezembro e deram um salto para 8,90% em janeiro.

"Há uma relação direta com a recuperação econômica e produtos que caíram de preço no ano passado estão recuperando", disse Quadros. "Além disso, o dólar não está mais agindo como uma camada de proteção à alta de preços internacionais", ponderou o economista.

- Fonte: Valor Online.




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