Pós-Graduação Inteligência de Mercado


Cenários e Tomada de Decisões

     

Em tempos de concorrência global, com a internet abrindo possibilidades infinitas aos consumidores, parece fundamental a estruturação de cenários que possam apoiar o desafio de “adivinhar” os movimentos futuros de mercado, como forma de criar e sustentar vantagens competitivas, certo?

Para os que concordam com a afirmativa acima tenho uma má notícia: nem mãe Diná, nem tarô, búzios ou paranormalidade. Na era da informação, vivendo na sociedade do conhecimento, não há tecnologia ou profissional capaz de antecipar o futuro, dizer o que acontecerá, especialmente quando se trata da arena competitiva.

Assim como na vida, o que podemos fazer é nos preparar para reagir aos movimentos competitivos, especialmente àqueles que ameaçam nossa competitividade.

Esse o grande desafio do processo de estruturação de cenários, fundamental a consecução de um bom planejamento estratégico.

Em resumo, o sucesso de um bom processo de planejamento não está relacionado com o poder de adivinhar o que vai acontecer, mas sim com a capacidade de preparar uma organização para reagir rapidamente às mudanças quando ocorrerem.

Um desafio maior, intrínseco a todo processo de planejamento, porém, se apresenta: escolhas pressupõem assunção de riscos.

Todas as vezes que planejamos fazer algo, consideramos uma série de informações, refletimos sobre várias possibilidades e decidimos quais as ações mais adequadas.

E aí começa a nossa grande dor de cabeça: com as escolhas vem a incerteza e, com ela, os riscos, que trazem ameaças e oportunidades.

A cultura empresarial brasileira, contudo, acostumada as benevolências governamentais, apoiada pela dependência e contaminada pelo DNA colonialista, e com uma visão pejorativa, insiste em perceber o risco apenas como ameaça, reforçando um comportamento de acomodação, ironicamente arriscado, frente aos constantes e dinâmicos movimentos de internacionalização.

Essa visão, excessivamente negativa a respeito do risco, é fruto do medo, medo que se apresenta pela falta de segurança, de transparência, conseqüências de anos de ditadura militar e controle totalitário que ainda fazem parte da memória de muitos brasileiros.

Incoerentemente, muitos imaginam que ao não tomar decisões estão evitando assumir riscos, sem perceber que ao não fazê-lo estão, na realidade assumindo riscos ainda maiores.

 

   

       

Osvaldo Cervi

Mestre em Administração: Universidade Presbiteriana Mackenzie
MBA: Finanças pela FIA – Fundação Instituto de Administração e em Tecnologias Educacionais pela FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado
Bacharel em Ciências Jurídicas: UNIARA – Universidade Integrada de Araraquara
Especialista em Macroeconomia: GVPec - Fundação Getúlio Vargas
Experiência Profissional de mais de 25 anos nas áreas comerciais e técnicas do mercado financeiro
Professor da FIA -Fundação Instituto de Administração e da Saint Paul Insititute of Finance
Palestrante em diversas empresas, entre elas, Santander – ABN, Unibanco, Caixa Econômica Federal, FIAT, Spice.